Está estudando holandês, mas está confuso? Precisa de ajuda?

Aulas de reforço no idioma holandês, via Skype, no conforto de sua casa! Saiba mais neste post!

IMPORTANTE: Mudanças no Inburgering

Leia o post sobre as mudanças que ocorreram nos exames.

"Hospice", já conhece um ou ouviu falar?

Post sobre um hospice destinado ao público jovem, inaugurado em 2014 na cidade de Leiden. Leia mais aqui!

Como é o teste de Holandês no consulado?

Acabe com a sua ansiedade! No post, links com os exemplos de como é o novo teste.

Programa LowLand

Programa transmitido direto da Holanda, via internet.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

"Hospice": Já ouviu falar?

Eu convivi pouco tempo com a minha sogra. Quando eu a conheci, ela estava naquele período que se chama "remissão" do cancêr. A remissão da doença não significa a cura; é um período de tempo em que a doença ou está respondendo ao tratamento ou está sob controle). Meu sogro, já aposentado, cuidava dela integralmente, mesmo quando a doença ainda não havia drenado por completo a vitalidade dela, como aconteceu no seu último ano de vida. 

Quando eu a conheci, ela ainda estava ativa, fazia algumas tarefas leves da casa, saía para fazer compras, ou passear. Em uma consulta de rotina, ela foi orientada pelo seu dentista, a procurar um médico, pois algo havia sido detectado por ele naquela consulta. 
Após um exame, foi constatado que o cancêr havia voltado, depois de cinco anos de intensos cuidados, sessões de quimioterapia, medicações e mais todo o esgotamento emocional que o doente e a família, normalmente, mergulham. 

Ok. Pára tudo. 

Eu resolvi começar esse texto contando uma experiência pessoal que me fez tomar conhecimento de um tipo de estabelecimento que existe aqui na Holanda e, até onde eu pude apurar, em outros países da Europa, Austrália e Estados Unidos também.

Hospices (pronúncia aproximada "róspiss”) são instituições onde são internadas pessoas que precisam de cuidados paliativos. Num hospice há pessoal  habilitado para o acompanhamento e supervisão de pessoas que estão seriamente doentes, passando por sofrimentos decorrentes de doença severa ou avançada, incurável e progressiva.

Nos hospices os quartos são individuais e aparelhados de acordo com a necessidade da pessoa que ali se hospeda. A hospedagem pode ser de até três meses. Havendo necessidade, pode-se prolongar mais três meses. Normalmente, não há muitos quartos nos hospices, como você pode estar imaginando. Quatro, cinco, seis quartos. Aqui na cidade onde eu moro, há um hospice, com cinco quartos.

Em abril de 2014 foi inaugurado na cidade de Leiden, depois de cinco anos de planejamento, um hospice para jovens, o Xenia Hospice (www.xeniahospice.nl). Nesse local são recebidas pessoas entre 16 e 40 anos. É o primeiro estabelecimento deste tipo na Holanda, voltado para o público mais jovem. 


É possível encontrar na internet reportagens e vídeos que mostram um pouco da atmosfera amigável e acolhedora que foi criada para receber essas pessoas, que decidiram junto de seus familiares e médico responsável - o paciente só é encaminhado para um hospice depois que o médico constata ser o caso - passarem seus últimos dias nessas unidades.



No caso deste estabelecimento, o Xenia Hospice, foi construído um ambiente onde familiares e amigos podem circular em espaços comuns, sentarem á mesa para fazer alguma refeição, tomar um café ou chá, conversar ou ver algum programa ou filme juntos. O estabelecimento se encontra no centro de Leiden, perto de cafés, supermercados, pubs. Aqueles que ainda não estão limitados devido a progressão da doença que os acometem, podem desfrutar de algum passeio, caminhada ou simplesmente sentar em algum banco ao longo dos belos canais da cidade e apreciar a vista.



O que mais me chamou a atenção nas reportagens á respeito desse novo estabelecimento foram os depoimentos de alguns "hóspedes": jovens, com talvez 16 ou 17 anos, falando de maneira resoluta o quanto era importante para eles aquele lugar, falando da maneira de como eles se sentiam "em casa", apesar deles estarem cientes do pouco tempo que lhes restava.  

Eu confesso que toda vez que eu leio algo a respeito dessas instituições, sinto uma espécie de inquietação e não raro, tristeza.

Ao mesmo tempo, tenho profunda admiração e respeito por essas pessoas que, no intuito de aliviar a tensão, angústias e tristezas que a sua iminente passagem para o infinito possa estar causando a si e em seus entes queridos, optam por passar seus últimos dias fora do seu ambiente familiar.

Me parece um profundo exercício de desprendimento, muito bem racionalizado. Eu tento me colocar na posição deles: seria eu capaz de optar por ficar longe do minha casa, do meu pessoal, dos meus objetos, dos meus "cheiros" e cores? Eu não sei. Seria eu muito egoísta, se eu decidisse ficar em casa, até o último momento? Para alguns, deve ser muito duro tomar uma decisão dessas, pois ir para um hospice, por mais que não se queira pensar nisso, significa o final de uma história. Você não sai de um hospice andando. Fato.

Eu lembro com nitidez a última semana da minha sogra no hospital. No quarto, junto com a família e o médico dela, foi declarado que o melhor para a situação dela seria  a remoção para um hospice, onde ela poderia ficar num ambiente menos tenso que o hospital mas com os mesmos cuidados. Em nenhum momento ela se mostrou contrária a decisão. Ela disse que entendia que a remoção dela seria para o bem da família e dela. Dentro de dois dias, ela já estaria instalada num quarto privativo, bem decorado, com uma vista bucólica para um jardim florido.

Mas, eu duvidei.

Algo me dizia que ela não queria ir para um lugar "desconhecido". Ela queria era ir pra casa dela. Seus objetos, sua gente, seus cheiros. Suas lembranças.

No manhã marcada para a remoção dela, ela iniciou o seu "desprendimento". A saúde dela colapsou de tal maneira que a remoção dela foi impossível. Guerreira como era, nunca cogitou a eutanásia (permitida no país) e embora o prognóstico sempre se mostrasse desfavorável para ela, jamais deixou de fazer planos onde ela estivesse incluída. 

Lá no meu íntimo, eu acredito que ela não quis ir para o hospice.

Talvez eu fizesse o mesmo.

“Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.”

(Texto publicado no Jornal Forquilinhas, edição Junho 2016)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ser mãe, mulher e imigrante na Holanda: a minha experiência

O texto abaixo foi escrito, originalmente, para a edição do mês de maio/2016 do jornal Forquilinhas, de Santa Catarina.


É importante lembrar que viver num país é uma experiência completamente diferente de visitar. Morar e imergir na cultura e nos hábitos locais, exige uma dose de paciência e muita resiliência.

Neste primeiro texto, eu vou contar um pouco sobre a realidade apresentada ao imigrante, em especial a mulher-mãe, que em muitos casos aterrisa aqui nessa terra sem ter muito conhecimento da dinâmica da sociedade daqui.

Logo no início, quando eu cheguei na minha nova morada, constatei um número grande de mulheres que ficam em casa, tomando conta dos filhos e dos afazeres domésticos.
(Ainda em tempo: esse deveria ser um trabalho remunerado: uma jornada extensa e extenuante. Sem sombra de dúvida.) 

Algumas nunca trabalharão fora e outras vão trabalhar tão logo os filhos estejam criados, entrando na adolescência. 

Enquanto eu vivi no Brasil, sempre trabalhei e estive rodeada de mulheres que trabalham fora, têm filhos e cuidam da casa. Aqui eu faço o mesmo, mas em um ritmo bem mais devagar do que as mulheres que conheço no Brasil. Descobri que existe uma série de circunstâncias que devem ser levadas em consideração antes de se fazer qualquer julgamento leviano á respeito daquelas que se dedicam integralmente aos cuidados da família e do lar.

Chegando aqui, eu queria muito arrumar um emprego (de preferência na mesma área que atuei no Brasil, contabilidade) e colocar a minha vida o mais rápido possível "nos trilhos". 

Eu moro a pouco menos de 100 km de Amsterdam, em uma cidade chamada Den Helder.

Den Helder é a cidade mais ao norte do país e em abril deste ano contava com cerca de 56.000 habitantes, de acordo com informações oficiais do CBS - Escritório Central de Estatísticas holandês.

Den Helder não é Amsterdam. Aqui, você não sobrevive muito tempo falando somente inglês. Se você não falar holandês, mesmo o básico, a vida fica muito complicada. 

Ao contrário do que acontece em outras cidades grandes (Amsterdam, Utrecht ou Haia), onde há uma maior ofertas de emprego, Den Helder é uma cidade pequena, com poucas oportunidades de emprego e em quase todas elas "falar holandês" é mandatório.

Algum tempo atrás, recebi um telefonema para uma entrevista de emprego em Amsterdam, em uma firma de TI. A proposta não era das melhores em termos de salário (1800,00 euros para 40 horas semanais), mas considerando que eu queria muito reiniciar a minha vida profissional dentro da minha área de formação, eu não ponderei muito e mais que rapidamente topei fazer a entrevista.

Na entrevista eu descobri que:

1) Eu deveria arcar com as minhas passagens até o local do serviço. A empresa dava uma ajuda para as passagens no valor de 350 euros. A passagem de ida e volta do trem sai por  28 euros. Só o trem. Eu não estou contando em pegar alguma outra condução chegando na cidade.  

Em casa, conversando com o marido, descobri mais: 

2) Cerca 30% referente a impostos seriam retidos; meu salário liquido não seriam mais os 1800 euros oferecidos;

3) Deixar uma criança cinco dias na creche custa mensalmente 711,00 euros para uma familia com renda anual de 70.000 (renda do casal, considerando 13o. salário de ambos). 

Então, fazendo um cálculo a grosso modo:

Passagens: 22 dias x 28,00 = 616,00 - 350,00 = 266,00

Imposto: 30% de 1800,00 = 540,00

Meus choradinhos 1800,00 euros, viraram 994,00.

Qual o valor da mensalidade da creche mesmo? Ah, 711,00 euros.

Quanto vai chegar na minha carteira?

Isso é o que podemos chamar de "literalmente pagar para trabalhar", não é verdade?

Bem...a recrutadora deve ter se dado conta antes de mim, que uma proposta dessas não seria aceita por alguém nas minhas condições. Ao final da entrevista ela me disse que entraria em contato, mas é óbvio que isso não aconteceu.

E então? Por essa, você não esperava, certo? 

Nem eu!
Área de anexos

domingo, 17 de janeiro de 2016

Porcos mortos em local de futuro Centro de Refugiados na Holanda

Créditos da Foto: Omroep Brabant
No vilarejo chamado Heesch, na província Brabante do Norte (Noord-Brabant) foram encontrados dois porcos mortos, em local escolhido para a construção um novo centro de refugiados (AZC – azielzoekerscentrum, em holandês)

Um dos porcos, estava pendurado com uma corrente em uma árvore. O outro animal foi colocado no telhado da caixa de um transformador.

Juntos dos porcos, foram encontradas faixas com as seguintes mensagens: “azc  500 = te veel”(te veel em holandês significa “demais”, “muito”) e “Heesch = tegen azc” (tegen significa “contra”). É desconhecido quem está por trás dessas ações.

A prefeitura recolheu os animais mortos. A prefeita Marieke Moorman, de Bernheze, disse na rádio local Maasland FM, que o prostesto foi “muito inadequado”.
Créditos da foto: Roel Kuilder 

Forte Oposição

No dia 12 de janeiro, a prefeita e os vereadores levaram  ao conhecimento do público que o novo centro de refugiados  de Heesch vai receber no máximo 500 refugiados por um periodo máximo de 10 anos. Na próxima semana estão sendo organizadas reuniões para os residentes locais. A proposta será encaminhada em breve ao conselho municipal.

Os planos enfrentam uma forte e imediata oposição. No Facebook, uma página contra a construção do centro de refugiados foi aberta com o nome “Protesto contra o Centro de Refugiados em Heesch (“Protest tegen AZC Heesch”). A página criada já conta com cerca de 2600 “likes”.


No vilarejo de Heersch moram cerca de 12.500 pessoas.


E você, leitor do blog? Já parou para pensar nisso? Você é contra ou a favor da acolhida ao refugiados? Qual a sua experiência?




Tradução e versão:  Moema Fortes - Blog Luz pra Cego

A notícia original, você encontra aqui.


sábado, 5 de dezembro de 2015

Gramática: Como fazer uma frase em Holandês

Mais importante do que conhecer/saber palavras em holandês, saber a ordem das palavras para formar uma frase ajuda muito a sermos melhor compreendidos.
Eu sugiro tentar memorizar esse "esquema" e formar frases TODOS OS DIAS, TODA HORA. É chato? Até pode ser, mas eu garanto que ajuda. Depois que pegar o hábito, as pessoas em volta vão dar "feedbacks", provavelmente positivos, sobre a evolução do seu "holandês".  
Sugiro (de novo?) também que comecem com frases curtas e aos poucos vão incorporando mais palavras, mais detalhes.

Basicamente, a ordem de uma frase é:

Pessoa verbo TEMPO MODO LUGAR outro verbo

Então vamos por partes. Vamos começar com uma frase simples:

De kinderen hebben gespeeld. (tempo passado) 

Ou:

De kinderen spelen. (tempo presente)


Agora, vamos dizer, QUANDO as crianças brincaram:

* De kinderen hebben vanmiddag gespeeld.

Ou:

* De kinderen spelen vanmiddag. 


Mais uma informação: de que maneira?

* De kinderen hebben vanmiddag met plezier gespeeld.

Ou:

* De kinderen spelen vanmiddag met plezier.




E por fim, onde ou em que lugar estavam as crianças?


* De kinderen hebben  vanmiddag met plezier in de peuterspeelzaal gespeeld.

Ou:

* De kinderen spelen vanmiddag met plezier in de peuterspeelzaal.

Complicado? Acho que não! É prática mesmo!

Veel plezier en succes!





sábado, 17 de outubro de 2015

Cuidado! O príncipe encantado estrangeiro pode ser uma ilusão

Quando fui convidada a escrever um artigo aqui no Luz para Cego, fiquei pensando em qual tema abordar. Afinal de contas, quando moramos em outro país existem tantos temas interessantes e curiosos que fica difícil escolher. Por fim, resolvi  abordar um assunto que mesmo muito debatido, principalmente em tempos de internet, é importante e nunca demais: o príncipe encantado estrangeiro.

Sim, geralmente a imagem do príncipe estrangeiro vem carregada de ilusões e expectativas, que variam obviamente conforme o objetivo da mulher que sonha. Muitas sonham com o encontro de sua alma gêmea, outras com a aventura do diferente, outras tantas em fugir de suas realidades,algumas ainda em melhorar sua situação financeira, sem esquecer aquelas que buscam pelo “status”de ser casada com um estrangeiro e por aí afora. E assim, no entusiasmo e ânsia de realizarem seus sonhos e objetivos se esquecem da cautela e mergulham de cabeça em um ilusório conto de fadas que logo pode se tornar um pesadelo.

Veja bem, não estou dizendo que isso acontece com todas as mulheres que se casam com estrangeiros, mas é a realidade de muitas. Em primeiro lugar é preciso ter em mente que aparência e nacionalidade não dizem absolutamente nada sobre o caráter de uma pessoa. O bonitão, alto, loiro de olhos  claros e passaporte europeu pode ser uma pessoas problemática e violenta, por isso ter o máximo de informação possível nunca é demais.

Você sabia, por exemplo, que os países europeus com maior índice de violência contra a mulher são os aqui do norte? De acordo com uma pesquisa feita pela European Union Agency for Fundamental Rights (http://fra.europa.eu/en/press-release/2014/violence-against-women-every-day-and-everywhere) a maior porcentagem de vítimas estão na: Dinamarca (52%), Finlândia (47%) Suécia (46%) e Holanda (45%). Dados surpreendentes para países que se dizem emancipados no que diz respeito a igualdade dos gêneros, não é mesmo? Esse quadro fica ainda mais nebuloso quando a mulher é estrangeira não fala holandês (ou o idioma do país que mora) e nem inglês, não possui amigos e/ou conhecidos a quem possa recorrer e não possui reserva de dinheiro próprio. Muitas se calam e os motivos para isso são os mais variados possíveis; medo, filhos, dependência emocional e financeira, obtencão do passaporte europeu, perda de um suposto “status” e por aí afora.

Fonte: Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA)
De acordo com a mesma pesquisa acima citada, a violência contra a mulher aqui na Europa do Norte tem os mais diversos contornos, passando pela violência física, psicológica e até mesmo virtual.
Ao me mudar para a Holanda me espantei com a quantidade de histórias violentas com as quais me deparei e é triste dizer, mas todas as vítimas optaram por permanecer com o agressor considerando que se voltassem ao país de origem não teriam o mesmo padrão de vida que (acham) que possuem aqui, além da vergonha de se defrontar com amigos e parentes e assumir que o suposto conto de fadas fracassou.
A problemática de brasileiras que se casam com estrangeiros e passam a sofrer abusos tem tomado uma dimensão tão grande que o Itamaraty lançou uma campanha que alerta para o cuidado de se ter informações e convivência mais profunda com o namorado estrangeiro antes de tomar a decisão de mudar de país (ver alerta na pagina do Itamaraty no Facebook https://www.facebook.com/ItamaratyGovBr/photos/a.147451148621511.22424.125578787475414/1082839871749296/?type=3&fref=nf).

Portanto eu deixo aqui algumas dicas caso voce esteja se relacionando com um “gringo” e ainda não arrumou as malas :
Falar um idioma em comum:
Se vocês não falam nenhum idioma em comum fica difícil estabelecer um relacionamento com bases mais sólidas, afinal trocar idéias, falar de sentimentos, estabelecer limites, tudo isso demanda uma linguagem além do google tradutor e da mímica.
Informação e mais informação:
Não importa se você conheceu seu namorado pessoalmente ou virtualmente, o importante é obter o máximo de informação possível e isso só se adquire com muita conversa. Veja bem, muitas moças gabam-se de não ter conhecido seus parceiros pela internet, mas será que existe tanta diferença assim caso voce o tenha conhecido durante o curto período de férias dele no Brasil por exemplo ? Ë bom lembrar que durante as férias as pessoas estão mais relaxadas, livres do stress e tensão do dia a dia e por isso mesmo mostram apenas um lado leve e relaxado da personalidade e montar uma máscara de bonzinho é mais fácil ainda quando se está em outro país e não existe ninguém que possa dar informações pessoais.
Por isso, checar o nome da pessoa no google e sua página no facebook, manter longas conversas via Skype, email, chats, telefone, etc é muito importante , sendo assim: 
Não tenha pressa:
Todo relacionamento precisa de tempo para amadurecer e muitas características de personalidade e da vida da pessoa só virão á tona com o tempo. Conheço casais que se relacionaram por muitos anos á distância até decidirem se casar. Um namoro transcontinental não é fácil mas , acredito, que ajuda a prevenir algumas surpresas desagrádaveis.
Preste atenção á detalhes e comportamentos estranhos :
Em conversas via Skype voce nota algo estranho no ambiente que a pessoa se encontra, ele mostra outros aposentos da casa á você, algum amigo e / ou parente sabe do relacionamento de vocês ? Se você deixa de ligar, enviar email etc qual é a reação dele ? Em algum momento ele teve um comportamento sem nexo ? Estar alerta é fundamental, para evitar situações como a de uma brasileira que após um namoro relampâgo á distância com um alemão descobriu após dois anos de casamento e dois filhos que o marido sofria de grave doença mental. Condição esta que foi escondida por ele e pela família até quando sobreveio uma crise e aí não foi mais possível ocultar o problema.
Não exponha sua privacidade :
Enviar fotos sensuais ou deixar-se filmar em situações íntimas é um tanto quanto arriscado, lembre-se que o relacionamento pode não ir adiante e depois por um motivo ou outro ter essas imagens divulgadas no mundo virtual pode trazer consequências desagradaveis em sua vida. Por mais que voce esteja apaixonada é importante manter os pés no chão.
Que ele venha primeiro te visitar:
Por maior que seja sua vontade encontrar a pessoa com a qual esteja se relacionando e até mesmo de conhecer o país dele, é aconselhável usar o bom senso e deixar ele ir te visitar primeiro, mesmo que o primeiro encontro de voces tenha sido pessoalmente. Isso porque você estará dentro de um ambiente que domina e terá a oportunidade de observar a reação dele quando em contato com seus amigos e parentes. Além de não se colocar numa situação de risco desnecessária. Uma ex colega de trabalho teve exatamente essa atitude com um estrangeiro que conheceu via internet, ele foi visita-la no Brasil e assim ela pôde constatar pessoalmente duas coisas : a primeira que ele mentiu quanto á idade, pois ao verificar o passaporte dele em determinado momento, pode ver que a informação nao batia e a segunda é que ele se mostrou antipático com os amigos dela e controlador com relação á ela própria. Foi o suficiente para ela ,sabiamente, terminar o relacionamento virtual que já durava um ano.
- Caso você decida visitá-lo primeiro então :
Deixe o contato e endereço dele com amigos e parentes, além do contato da Embaixada Brasileira mais próxima da região que você estará, pode parecer paranóia, mas vale prevenir. Levar dinheiro extra para emergências é imprescíndivel pois 'ficar na dependência financeira do outro te deixa vulnerável e sob controle.
Situação familiar :
Informar-se sobre o relacionamento do namorado com a família dele pode te dar várias pistas valiosas. Ele mantém contato com ela ? Ou é apenas uma relação formal ? Tem filhos de outro relacionamento e como se dá o contato ? Lembre-se que muitas vezes não é fácil se adaptar a uma família de nossa própria cultura e que dirá de uma cultura diferente. Nem todas as famílias recebem de braços abertos a futura nora estrangeira e ignorá-la ou faze-la passar por situações humilhantes não é algo raro de se ver por aqui.
Situação financeira e profissional:
Falar de dinheiro para muitas pessoas é tabu, mas é importante saber sobre a situação financeira do parceiro, ele tem trabalho ou vive de ajuda governamental? Tem dívidas? Tem economias guardadas? E você qual a sua situação financeira? Caso o relacionamento não dê certo voce tem como retornar ao Brasil com recursos próprios e recomeçar ? Ele prefere que voce trabalhe ou aceita que fique em casa?
Já tomei conhecimento de inúmeros casos em que o parceiro estrangeiro obriga a companheira a trabalhar para pagar dívidas e ás vezes até mesmo imóveis que ele adquiriu antes de conhecê-la. Outros ainda passam a exigir que a mulher comece a pagar a residência e a alimentação que ele proporcionou á ela durante o período que ela levou para aprender os rudimentos do idioma.
A minha intenção com esse texto não é de destruir os sonhos e objetivos de ninguém mas de apenas conscientizar sobre os cuidados a se tomar antes de entrar de cabeça num relacionamento com um estrangeiro. As dicas acima são apenas de prevenção e não pretendem impor nada a ninguém, afinal cada um é responsável por suas próprias escolhas.

Foto: www.folhavitoria.com.br


Não há como viver sem riscos, mas o bom senso e a objetividade não devem ser esquecidos para que se evite viver um pesadelo!
Para quem vai se mudar para a Holanda ou já vive aqui segue abaixo algumas informações importantes:
  • Casa Brasil Holanda – Associação de apoio aos brasileiros (http://www.casabrasilholanda.nl)
  • Dona Daria –  Centro para Mulheres oferecendo apoio social e psicológico (http://donadaria.nl)
  • Comensha– Fundação contra o tráfico de mulheres(http://mensenhandel.nl/)
  • Vida Legal – orientação jurídica gratuita (http://www.vidalegal.nl)
  • I-Psy – Atendimento em saúde mental e psiquiatria na língua portuguesa (https://www.i-psy.nl)



Cíntia Beatrice é paulistana, Bacharel em Turismo e Designer de Interiores, Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e mora no Norte da Holanda com o marido . Atualmente faz parte do grupo de colunistas do blog Brasileiras pelo mundo. (http://www.brasileiraspelomundo.com

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Besparen - A "palavra de ordem" na Holanda

Besparen, em holandês significa "economizar". E confesso que eu aprendi aqui na Holanda, o que é economizar na prática. Bem...talvez "aprender"não seja o termo correto;  "economizar" eu já sabia e sei; talvez o que faltava, quando eu morava no Brasil, eram oportunidades para exercer, de forma consciente e efetiva.

Garrafas pet, essas de refrigerante e de água mineral, que no Brasil jogamos fora, cortamos para fazer de vaso de plantas ou usamos para armazenar outros líquidos, aqui valem dinheiro; para ser mais precisa, valem 0,25 de euro. Acha pouco? Dez garrafas de Cueca-Cuela de 1 litro por exemplo, já são 2,50 euros....

Mas tem um detalhe: somente garrafas com a tampa são válidas. Se você tentar colocar uma garrafa pet SEM a tampa, a máquina devolve pra você. 

Garrafas long neck (cerveja) tambem entram...Um engradado com 24 dessas garrafinhas vale 3,50 euros.....

Em todo supermercado, você encontra uma máquina que recolhe as garrafas e emite um recibo, onde consta o valor total das garrafas que você inseriu. 
E não necessariamente, você precisa comprar alguma bebida para usar o recibo. Você pode comprar qualquer coisa dentro do supermercado e quando for passar na caixa, você entrega o recibo e aquele valor é subtraído do total a pagar. 

Super legal, né?

Mas não é só isso.

Quando a validade dos produtos está prester a expirar, os supermercados oferecem 35% de desconto sobre o produto. E não pensem que o desconto só é dado um ou dois dias antes da validade do produto expirar. Esses descontos são oferecidos em todos os tipos de mercadorias: carne, frango, biscoitos, leite, iogurte, sabão em pó, xampú, balas....

Além disso, alguns supermercados possuem os "cartões bônus". Esse cartões são pessoais, ou seja, estão no nome do cliente (mas é claro que o mesmo passa de mão em mão....) e devem ser apresentados no caixa. Algumas promocões do tipo "compre um e leve o segundo pela metade do preço", ou "pague um e leve dois (o famosos 1+1 gratis) só valem se você apresentar esse cartão. 

Outra coisa que eu acho admirável aqui, é o fato da maioria das pessoas sempre carregarem as suas próprias sacolas para carregarem as compras do supermercado. Nos supermercados holandeses, você paga para usar as sacolas. As sacolas ficam dispostas logo na entrada do caixa, assim, se você quiser uma sacola, já coloca a mesma junto das suas compras, pois a mesma será cobrada. Aqui no supermarcado perto de casa, uma sacola plástica (mas é uma SACOLA, não é um saquinho plástico, galera!) custa 0,25 centavos (de euro).

Agora, fico me perguntando: no Brasil, será que o pessoal ia aceitar numa boa, pagar pelas sacolas no supermercado? 

Da última vez que estive em Porto Alegre, vi que algumas pessoas carregam suas próprias sacolas ou, como a minha mãe, carregam aqueles carrinhos de compras (será que a minha mãe aprendeu isso por aqui?!), evitando trazer para casa mais sacolas plásticas.

Talvez, já esteja se formando no Brasil, uma consciência ecológica (e financeira) real. Aos poucos, quem sabe, nós brasileiros, poderemos vivenciar na prática esse "besparen" holandês.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Farofa de Tulipas: Balanço de pouco mais de um ano

Antes mesmo de eu me mudar para o velho mundo, eu já lia os posts do Farofa de Tulipas.

Quem escreve no blog é a Adriana, brasileira, que morou na Holanda por 9 anos e por circunstâncias da vida, retornou ao Brasil.

Esse post do Farofa de Tulipas é justamente um balanço sobre o retorno dela ao Rio de Janeiro, junto com seus dois pequenos, nascidos na Holanda.

Sabem o que mais gostei desse post? É o olhar crítico, sem fantasias ou qualquer perfumaria sobre o retorno (tão almejado por uns e considerado insano por muitos outros...), a vivência dela e as suas impressões.

É claro que, a realidade vivida por cada um de nós, ANTES da mudança de país, conta muito.

O que a gente procura aprender e melhorar enquanto está fora, ou seja, no local que escolhemos viver e chamar de lar (mesmo que para alguns, temporariamente) também pode fazer a diferença (portanto, nada de ficar perdendo tempo!).

Mas um pouco de fé, resiliência (quem aí, depois de morar fora não a tem?!) e a mudança no nosso padrão mental ajudam muito na hora de voltar para o "ninho".

Desejo á todos uma ótima leitura e para a Adriana e filhos, uma vida com muitas surpresas e descobrimentos agradáveis na cidade Maravilhosa!

Logo abaixo, segue o link para o post "Balanço de pouco mais de um ano"